
O culto quimbandeiro, tal como o conhecemos na atualidade, é um complexo de cultos indistintos, lendas, mitos e interesses escusos ( como, por exemplo, a manipulação de pessoas de humildes e incultas ). Por mais que isso possa ferir a pseudo-ética de qualquer praticante deste culto esta é a verdade.
A humanidade, de forma geral, sempre buscou culpar algo ou alguém por seus eventuais desacertos, criou o mito do mal, a figura do "diabo", que ainda hoje é explorada pelas instituições religiosas. Tornou-se cômodo incutir em uma única figura aquilo que não se compreende diante dos planos naturais, tais como a doenças, as mortes, etc... Guerras, independentes dos motivos, foram associadas de tal forma: Deus está ao meu lado, logo, o "Diabo" está ao lado de meu inimigo.
Por outro lado, este mesmo inconformismo, pela incompreensão das Leis do Universo, fez com que um grupo de pessoas buscasse um "auxílio do outro lado", o Diabo agora é visto como uma potência que pode interferir e ser benéfica aqueles que se submeterem a sua vontade. Na realidade, estes embusteiros do esoterismo buscavam apenas satisfazer seus desejos imorais e sórdidos, como vinganças, caprichos sexuais, vícios como o álcoolismo e situações das mais desprezíveis.
É sob este contexto de culpas incutidas e de tentativas de escapar da moral da sociedade organizada, que surge o culto da quimbanda, onde não a moral a ser temida e podesse dar um "jeitinho", tal como ofereciam os feiticeiros de épocas anteriores. Neste cenário a figura de Exu ressurge lentamente, acabasse por se ressuscitar os seguidores de Irshu, os Exud, os degredados da Luz. Estes, para escaparem de uma nova e eventual perseguição, associam-se a arquétipos populares: o malandro e a meretriz, mas sempre com um suposto poder de satisfazer seus fiéis.
Obviamente no começo não foi assim, poucos eram os conhecedores de tais entidades, eram tratados em sigilo, e não abertamente como em nossos dias. Tais entidades, habitantes do Umbral ( Lugar espiritualmente definido como de sombras, por ser habitado por espíritos não evoluidos, causadores de vícios e fomentadores de vinganças ) eram invocadas apenas para levar a seu local de origem eventuais energias nocíveis enviadas por outros praticantes do baixo-espiritismo. Em suma, os primeiros umbantistas se valiam, de forma discreta, dos exus para desmancharem feitiços encomentados por pessoas de moral questionável.

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